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terça-feira, 25 de outubro de 2011

Vídeo O mundo de Beakman - Cicatrização

A parte da cicatrização começa a partir do terceiro minuto. Mas o início é muito interessante pois fala sobre o princípio da máquina fotográfica e ensina a fazer uma prática muito fácil e divertida.

quinta-feira, 8 de setembro de 2011

Todos os bichos têm sangue vermelho? - Mundo Estranho

Artigo da Revista Mundo Estranho mostrando a diversidade de cores encontrada no Reino Animal. Para ler o artigo na página original clique no título.

Todos os bichos têm sangue vermelho? - Mundo Estranho

Todos os bichos têm sangue vermelho?


Não, nem todos. Apenas os vertebrados, com algumas exceções, têm sangue com essa coloração - provocada pela presença de células ricas em ferro, chamadas hemoglobina, que possuem o tom avermelhado. Os vertebrados, vale lembrar, dividem-se em cinco grandes grupos de animais: mamíferos, aves, peixes, anfíbios e répteis. Já entre os seres invertebrados a coloração do sangue varia muito. Os crustáceos (caranguejos, siris, lagostas etc.) têm sangue com cor mais azulada, graças à presença de um pigmento chamado hemocianina.
Os insetos, por sua vez, possuem um tipo de sangue (chamado de hemolinfa) que pode ser amarelado, azulado ou esverdeado - em certas espécies de formigas ele pode até ser incolor. "Outra particularidade sobre o sangue dos insetos é que ele não corre dentro de um sistema de vasos pressurizados, como acontece com nós, humanos, mas percorre amplos espaços e banha os vários órgãos, que são delimitados por membranas bem finas", afirma o entomologista (especialista em insetos) Sérgio Vanin, do Instituto de Biociências da USP. Como toda regra tem sua exceção, também entre os invertebrados existem espécies com sangue vermelho, como as minhocas e algumas larvas aquáticas de certos mosquitos.

Como é feito o sangue? - Mundo Estranho

Artigo da Revista Mundo Estranho sobre o sangue. Para ler o artigo na página original clique no título.


Como é feito o sangue? - Mundo Estranho

Como é feito o sangue?

por Yuri Vasconcelos
As principais células do sangue são produzidas na medula óssea, uma estrutura gelatinosa que fica dentro de vários ossos do corpo.
Mas é a água que a gente bebe a maior responsável pelo volume de cerca de 5 litros de sangue que circula no organismo. É essa água que forma a parte líquida do sangue, o plasma, substância à qual se misturam três tipos de células produzidas na medula óssea: os glóbulos vermelhos, os glóbulos brancos e as plaquetas. Confira quais são as características desses quatro componentes fundamentais:

Quantidade por milímetro cúbico de sangue - Por volta de 5 milhões de glóbulos
Tempo de vida 120 dias ! Sua função é transportar o oxigênio para todos os tecidos do corpo. Também chamado de hemácia ou eritrócito, é a célula mais numerosa no sangue. Tem um pigmento chamado hemoglobina que ajuda a deixar todo o sangue com a cor avermelhada

Quantidade por milímetro cúbico de sangue - Entre 5 mil e 10 mil glóbulos
Tempo de vida - Dependendo do tipo, pode viver só uma semana ! É o principal agente de defesa do organismo contra o ataque de bactérias, vírus etc. Conhecidos também como leucócitos, os glóbulos brancos se dividem em cinco variedades: neutrófilos, eosinófilos, basófilos, linfócitos e monócitos

Quantidade por milímetro cúbico de sangue - Entre 150 mil e 450 mil plaquetas
Tempo de vida - Nove dias! A plaqueta é um fragmento de uma célula maior chamada megacariócito. Ela tem a forma de um disco arredondado e é essencial para a coagulação sanguínea — sem plaquetas (ou trombócitos) há hemorragias

PLASMA
É a parte líquida do sangue, que tem cor amarelada e serve para levar água e nutrientes para os tecidos do corpo. Cerca de 90% do plasma é água pura — onde se dissolvem substâncias como proteínas, sais minerais, hormônios e glicose. O plasma é basicamente formado pela água que a gente bebe. Ela entra na corrente sanguínea pelo intestino, que têm paredes com membranas permeáveis e cercadas de finos vasos de sangue
 
É preciso ter tutano Célula-tronco escondida dentro dos ossos se transforma em glóbulos ou plaquetas

1. A medula óssea, como o nome sugere, fica dentro dos ossos. Ela é formada por um tecido gelatinoso que parece uma esponja cheia de sangue. Popularmente, é conhecida como tutano e não tem nada a ver com a medula espinhal, que fica na coluna e faz parte do sistema nervoso
2. Quando nascemos, todos os ossos têm medula óssea capaz de produzir sangue. Com o tempo, a maior parte dela perde essa função, virando um tecido gorduroso chamado de medula amarela. Nos adultos, só ossos longos (fêmur, úmero) ou achatados (costelas, crânio, vértebras e esterno) têm a medula óssea funcionando
3. A medula é cercada por uma grande rede de pequenos vasos sanguíneos. É por esses finos capilares que ela recebe o suprimento de "ingredientes" como ferro, vitaminas e ácido fólico, substâncias que usa para produzir os principais componentes do sangue
4. O processo de produção das células sanguíneas tem um nome complicado: hematopoese. Ele começa a partir de uma célula encontrada em grande quantidade nas medulas ósseas, a célula-tronco hematopoética
5. Após um pequeno período de amadurecimento, essas células-tronco se transformam em um dos três principais componentes celulares do sangue: glóbulos vermelhos, glóbulos brancos ou plaquetas
6. A medula trabalha sem parar. Quando as células sanguíneas estão totalmente formadas e maduras, soltam-se da medula óssea e penetram na rede de vasos sanguíneos para substituir as plaquetas e glóbulos que já estão encerrando seu ciclo de vida
 
Leva-e-traz Circulação sanguínea transporta nutrientes para as células e recolhe o lixo delas
Afinal, por que a gente tem 5 litros de sangue circulando pelo corpo? Para entender isso, imagine a circulação sanguínea como a grande auto-estrada do organismo, funcionando em dois sentidos. Numa direção, o sangue leva para as células do corpo alimento, água, e oxigênio. No sentido oposto, quando retorna das células, o sangue conduz o dióxido de carbono e outros resíduos que precisam ser eliminados. Os infográficos abaixo são um bom atalho para entender os segredos dessa rodovia.

CORPO TEM DOIS NIVEIS DE CIRCULACAO: A PEQUENA E A GRANDE

Pequena circulação
Ela ocorre entre coração e pulmões. O sangue que chega ao coração é enviado para os pulmões, onde rola a troca de dióxido de carbono (CO2) por oxigênio (O2). O sangue oxigenado volta, então, ao coração para ser bombeado para o corpo todo

Grande circulação
1. A grande circulação tem início justamente quando o sangue sai do coração em direção ao restante do organismo. Na primeira etapa da "viagem", ele segue pelas artérias, vasos sanguíneos espessos, com três camadas de tecido, inclusive uma muscular
2. As artérias terminam em pequenos vasos, chamados de capilares, que têm paredes muito finas. Quando o sangue passa no capilar, parte do líquido atravessa as paredes e se espalha entre as células próximas, abastecendo-as com nutrientes e oxigênio
3. A outra extremidade dos capilares se conecta a vasos venosos, também conhecidos como veias. É por elas que o sangue, agora com resíduos descartados pelas células, volta para o coração. Para impedir o refluxo do sangue, as veias têm válvulas em seu interior

Aprenda a fazer hemácias e outras células do sangue

Queridos, vamos conhecer o ambiente da casa chamado COZINHA e aproveitar para construir modelos representando as células do sangue. Leia o artigo abaixo.

Aprenda a fazer hemácias e outras células do sangue

Você só precisa de farinha, sal, água, óleo, tinta e palitos de dente!
Por: Cathia Abreu, Instituto Ciência Hoje/ RJ
Publicado em 15/08/2008 | Atualizado em 16/06/2010

Você vai precisar de:


Para a massa
- 2 copos de farinha de trigo (225 gramas);
- 1 copo de sal (100 gramas);
- 3/4 de uma xícara de água morna (150 mililitros);
- uma colher e meia de sopa de óleo de cozinha.


Outros materiais
- Palitos de dente, fósforos ou um garfo;
- tinta guache vermelha;
- uma assadeira;
- óleo de cozinha e farinha de trigo para untar.


Preparo da massa

Misture todos os ingredientes necessários para fazer a massa em uma vasilha até atingir o ponto de biscoito ou até a massa desgrudar da mão. Então, dê o formato adequado a cada célula, conforme explicado a seguir.


Para as hemácias – as células do sangue que transportam o oxigênio –, use a massa para fazer bolinhas. Depois, faça uma pequena pressão com o dedo, no centro de cada uma, para deixá-las achatadas.


Já no caso dos linfócitos, basófilos e eosinófilos – células do sangue relacionadas com a defesa do organismo –, faça uma bola e, depois, uma pequena escultura, que deve ser colocada em cima de cada célula, deixando-a tal como mostra a foto abaixo. Para aumentar a semelhança com as células de verdade, fure a massa que forma a parte de cima das células com palitos de dente, de fósforo ou com o garfo.

Células modeladas, é hora de ir ao forno. Coloque as réplicas em uma assadeira untada com óleo e farinha de trigo. Peça ajuda a um adulto para levá-las ao forno pré-aquecido, em uma temperatura de 180 a 200 graus. Deixe a massa ali até começar a dourar.

Veja como devem ficar os linfócitos, basófilos, eosinófilos e as próprias hemácias depois de serem levados ao forno.

Pronto! Agora é só esperar as suas réplicas esfriarem para pintá-las com tinta guache. Use a cor vermelha, pois as células têm essa coloração no sangue. Para as hemácias, porém, capriche no tom. Já para os linfócitos, basófilos e eosinófilos, use um tom mais claro, diluindo a tinta com água.

Cathia AbreuInstituto Ciência Hoje/RJ.

Aprenda a fazer hemácias e outras células do sangue

terça-feira, 23 de agosto de 2011

Por que o sangue circula pelo corpo?


Revista CHC | Edição 171 


Por que o sangue circula pelo Corpo?

 Por: Carlos Alberto Mandarim-de-Lacerda, Departamento de Anatomia, Universidade do Estado do Rio de Janeiro.
Publicado em 09/08/2006 | Atualizado em 30/07/2010




 
 Ilustração: Maurício Veneza / Gráfico: Nato Gomes

Em geral, é apenas quando nos cortamos que nos damos conta da existência do sangue. Talvez por isso muita gente não goste de ver esse líquido vermelho. Mas como ele é importante! No sangue, encontramos nutrientes gerados pelos alimentos que comemos, células que defendem o nosso organismo de doenças, oxigênio obtido com a respiração... Se o sangue ficasse parado, somente uma parte do nosso corpo desfrutaria de tudo o que ele tem a oferecer. Mas ainda bem que não é isso que acontece: o sangue circula por todo o nosso organismo, percorrendo intrincados caminhos.

Repare na região dos seus pulsos e também na dobra do seu cotovelo... Não há ali finas linhas azuis? Elas são pequenos tubos, chamados vasos sangüíneos, por onde passa o sangue. Há muitos deles espalhados pelo nosso corpo: os que vemos nos pulsos e na dobra do cotovelo são veias (vasos sanguíneos que chegam ao coração trazendo o sangue), mas há também as artérias (vasos sanguíneos que saem do coração, levando o sangue aos tecidos) e os capilares (vasos tão finos quanto fios de cabelo). Junto com o coração, os vasos sanguíneos formam o sistema circulatório.

É o sistema circulatório que faz com que o sangue percorra o nosso organismo por completo, permitindo que o oxigênio e os nutrientes transportados por ele cheguem a todas as regiões. Afinal, é o coração que bombeia o sangue, colocando-o em movimento, enquanto os vasos sanguíneos servem de caminho para esse precioso líquido...

No entanto, o sangue não só faz esse trabalho de entrega de oxigênio e nutrientes para diferentes partes do corpo, como também realiza outro: recolhe das células tudo o que elas não precisam mais. Para cumprir essas duas funções, porém, esse precioso líquido vermelho precisa percorrer um longo caminho, que começa e termina no coração.
 
O coração é dividido em partes, como se fossem cômodos de uma casa. Podemos imaginá-lo como uma casa de dois andares. A parte superior é dividida entre os átrios direito e esquerdo; e a inferior, entre os ventrículos direito e esquerdo (veja o desenho ao lado). Vamos acompanhar a trajetória do sangue a partir do momento em que ele sai do coração pelo ventrículo direito?

Nesse momento, o sangue quase não carrega oxigênio: traz mais gás carbônico e substâncias descartadas pelas células, pois acabou de chegar do seu “passeio” pelo corpo. Por isso, segue pelas artérias até os pulmões. Nesse órgão, ele troca o gás carbônico por muito oxigênio e volta ao coração. Entra pelo átrio esquerdo, segue para o ventrículo esquerdo e sai pela artéria aorta em direção ao resto do corpo, para recomeçar o seu trabalho: entregar oxigênio e nutrientes a cada célula, recolher o que elas não precisam mais...

Todo esse trajeto, possível graças ao trabalho do sistema circulatório, é justificado porque o sangue tem papel fundamental para que possamos sobreviver. Todos os animais possuem um sistema circulatório, mas ele pode ser mais simples do que o nosso nos peixes, anfíbios e répteis, embora também seja essencial para suas vidas.

Carlos Alberto Mandarim-de-Lacerda,
Departamento de Anatomia,
Universidade do Estado do Rio de Janeiro

Vídeo O Mundo de Beakman - Ataque cardíaco


Vídeo O Mundo de Beakman - Vacina


Vídeo O Mundo de Beakman - Circulação


Como os tibetanos conseguem viver em grandes altitudes? - Scientific American Brasil

Matéria da revista Scientific Americam Brasil relacionado ao sangue. Para ler o artigo na página original da revita basta clicar no título

Como os tibetanos conseguem viver em grandes altitudes?
O segredo está no sangue – e em artérias mais largas para transportá-lo
por David Biello
 
 Os moradores do Platô Tibetano sobrevivem e prosperam no topo do mundo, em uma região com altitude média de 4.500m acima do nível do mar. Lá em cima, o ar não é essa sopa rica em oxigênio à qual estamos acostumados em altitudes mais baixas. Na verdade, como muitos alpinistas descobriram para seu desapontamento, é difícil obter esse elemento vital para a vida em quantidades suficientes nos pulmões e no sangue à medida que escalam as montanhas, o que muitas vezes resulta em sintomas debilitantes como náusea e tontura, que podem chegar a ser fatais. De acordo com uma nova pesquisa, os tibetanos evitam essa náusea da altitude porque têm artérias e capilares mais largos para levar o oxigênio aos órgãos e músculos.

“Ao mesmo tempo em que os tibetanos são extremamente hipóxicos em grandes altitudes, consomem a mesma quantidade de oxigênio que nós no nível do mar”, explica a antropóloga Cynthia Beall, da Case Western Reserve University, em Cleveland. “Eles conseguem isso graças a um fluxo muito alto de sangue, transportando o oxigênio até os tecidos duas vezes mais rápido”.

Os tibetanos aumentam o fluxo do sangue produzindo grandes quantidades de óxido nítrico na parte interna dos vasos sanguíneos. O gás se espalha pelo sangue e forma nitritos e nitratos, que fazem com que as artérias e capilares se expandam e transportem o sangue cheio de oxigênio para o restante do corpo mais rapidamente que o normal.

Em um estudo com tibetanos, Beall e seus colegas relataram no “Proceedings of the National Academy of Sciences” que 88 desses homens e mulheres que moram nas alturas possuem um fluxo sanguíneo duas vezes mais rápido que 50 habitantes da cidade de Cleveland, nos Estados Unidos – que moram a apenas 205 m de altitude acima do nível do mar. Além disso, os produtos de óxido nítrico em circulação no sangue dos tibetanos é 10 vezes maior.

Na verdade, os níveis de nitritos e nitratos no sangue dos tibetanos são mais altos que nos pacientes que sofrem de uma infecção bacteriana no sangue – choque séptico –, e o fluxo de sangue é típico de pessoas que sofrem de pressão alta. No entanto, os tibetanos não sofrem com isso. “Não observamos nenhum aumento na resistência vascular”, afirma Beall. Os tibetanos também parecem ter níveis mais altos de antioxidantes em seu organismo, talvez para ajudar a reduzir o risco de colocar tanto óxido nítrico – um radical livre – em sua corrente sanguínea.

Os tibetanos também respiram bastante, inspirando o ar mais vezes por minuto que os habitantes de terras mais baixas e até mesmo que outros moradores de regiões altas – como os Andes na América do Sul, que possuem pulmões maiores que a média. Além disso, quando os tibetanos receberam oxigênio puro, seu ritmo cardíaco diminuiu em 16%. No entanto, os cientistas dizem que sua capacidade de produzir níveis mais altos de óxido nítrico é fundamental para que consigam viver sem problemas nos picos mais altos do mundo.

Seria essa capacidade uma evidência de adaptação funcional evolucionária em humanos? “Teríamos que identificar o gene e as variantes gênicas que são diferentes”, ressalta Beall, “Mas parece uma hipótese razoável no momento”.

Os tibetanos vivem nesse platô há cerca de 20 mil anos e, além de conquistar o Monte Everest – assim como outras montanhas que ostentam os picos mais altos do mundo – regularmente, ainda conseguiram estabelecer e sustentar grandes sociedades sob condições desafiadoras. O segredo do sucesso pode estar codificado em seus genes. “Trata-se de um exemplo de adaptação à hipoxia de grandes altitudes”, explica Beall, “Os tibetanos sabe que são especiais porque vivem em locais tão altos sem adoecerem”.

 
Como os tibetanos conseguem viver em grandes altitudes? - Scientific American Brasil

quinta-feira, 18 de agosto de 2011

Sangue: Precioso Líquido - Superinteressante

´Matéria da Revista Superinteressante sobre o Sangue (novembro 1989). Para visualizar a página original basta clicar no título.

Precioso líquido

Sangue, o fluido mais nobre do organismo, percorre veias e artérias levando oxigênio, nutrientes e todo o sistema de defesa; boxes sobre: imagens do sangue dentro do organismo, exame de sangue e, o medo ao ver sangue.

Cinco litros de sangue percorrem 96.500 quilômetros de vasos para distribuir pelo organismo oxigênio, nutrientes e armas de defesa. A ciência aprende a mergulhar fundo nesse fluido vital.

Por Lúcia Helena de Oliveira

Como as pedrinhas de um caleidoscópio, enquanto dançam, se transformam, no interior dos ossos, minúsculas células vão mudando de cor e de forma. Algumas se tornam gorduchas, avermelhadas e bicôncavas. Outras, de um branco quase transparente, assumem diversos formatos. No final da metamorfose, todas escoam formando finíssimos riachos do fluido mais nobre do corpo - o sangue. Nele, o exército de defesa do organismo mergulha, o oxigênio nada e os nutrientes flutuam. Sem a sua irrigação o homem não sobreviveria e, talvez por ter sido essa intuição, cultiva desde os tempos primitivos a idéia de que a própria alma pulsa ao embalo do coração ao longo de seus quase 96.500 quilômetros de veias e artérias.
Em um piscar de olhos, rigorosamente cronometrado, perdem-se 8 milhões de células sangüíneas, mas no mesmíssimo instante a medula óssea produz outras tantas. Estas, enfileiradas, após duas horas e meia de frenético ritmo industrial, poderiam formar uma ponte entre o Rio de Janeiro e Londres. Somente no ano passado cientistas americanos conseguiram isolar as células matrizes na medula óssea de cobaias - e não se poderia criticá-los se estivessem comemorando até hoje.
Pois essas verdadeiras sementes orgânicas, que dão origem às diversas células que compõem o sangue, vinham se escondendo da ciência há mais de três décadas. Existe apenas uma fugidia célula matriz sangüínea em cada 10 mil células da medula; assim, beneficiada por essa camuflagem, ela sempre escapava ao olhar dos microscópios. A descoberta da célula-mãe é um dos recentes avanços da Hematologia, a área da Medicina que estuda o sangue - uma substância que surgiu na escala evolutiva com os anfíbios, há 340 milhões de anos. Observando as transformações dessa célula, os pesquisadores querem agora descobrir os 5 litros de sangue que circulam no corpo de um adulto, representando até 7 por cento de seu peso. A rigor, os cientistas consideram o sangue um tecido, cujas partículas sólidas, as células, estão submersas em um meio líquido de cor amarelada, o plasma, formado basicamente por água. O plasma é importantíssimo, explica o hematologista Dalton Chamone, professor da Universidade de São Paulo, pois nele se dissolvem os nutrientes e a proteínas fundamentais, como os chamados fatores de coagulação, que evitam a perda do sangue, quando, por exemplo, nos cortamos.
Em uma única gota do líquido, porém, moram aproximadamente 9 mil glóbulos brancos, os linfócitos, como são chamadas as células do sangue que formam o sistema imunológico, encarregado de defender o organismo contra toda sorte de invasores, desde um grão de poeira até um vírus. Na mesma gota de sangue existem ainda de 250 mil a 500 mil plaquetas, partículas que flutuam livremente até ocorrer a menor lesão em um vaso. Então, elas se agregam, construindo uma barreira à passagem da corrente sangüínea, para evitar a hemorragia. Mas sem dúvida são os mais famosos componentes do sangue. Até porque é sua proteína, a hemoglobina, que lhe confere o tom vermelho vivo.
Sem dúvida, as hemácias andam em moda hoje em dia, ironiza o hematologista Celso Guerra, professor da Escola Paulista de Medicina, referindo-se aos atletas que se preocupam com a quantidade de glóbulos que corre em suas veias. A razão é simples: são as hemácias que transportam o oxigênio da respiração pelo corpo. Nas células, onde o sangue desemboca através de microscópicos vasos capilares, o oxigênio é queimado, a hemácia se liga ao gás carbônico, que será despejado nos pulmões .
Como os músculos consomem muito oxigênio para realizar o seu trabalho, o raciocínio de alguns esportistas é de que quanto mais hemácias houver no sangue mais combustível haverá para queimar nas competições. Existem várias fórmulas para aumentar a quantidade de glóbulos vermelhos. A mais simples é treinar em lugares altos, onde o ar é mais rarefeito. Quando cai a pressão atmosférica, o ar chega com menos força aos pulmões. Com isso, estes captam menos oxigênio. Numa tentativa de compensar a perda, um hormônio produzido nos rins ordena à medula que intensifique a linha de montagem das hemácias. Na opinião de Guerra, que há mais de três anos vem analisando o sangue de atletas brasileiros, todo o esforço para ganhar umas hemacias a mais pode ser em vão. De que adianta ter glóbulos vermelhos se dentro destes não há ferro suficiente para carregar o oxigênio?, pergunta. De fato, é por falta deste mineral no cardápio do dia-a-dia que um em cada cinco brasileiros homens é anêmico.
No caso das mulheres, que têm uma perda extra de ferro pela menstruação, a relação dobra: duas em cada cinco. O retrato de um país de gente pálida é o reflexo de um poder de compra ainda mais anêmico: o salário magro não compra carne e é do ferro existente em suas entranhas que o sangue precisa.
Outros alimentos, como o espinafre e o feijão, possuem o ferro ligado a moléculas de substâncias que o organismo não absorve com facilidade. Estima-se que durante a vida uma pessoa produza cerca de meia tonelada de glóbulos vermelhos, que se mantêm na circulação por quatro meses, até se romperem no baço e no fígado; as vísceras quebram seus componentes para serem remontados na medula óssea. Uma simples alfinetada na ponta do dedo faz derramar em torno de 5 milhões de glóbulos vermelhos. No entanto, pode-se sobreviver se cada gota de sangue dispuser de metade disso.
Mesmo assim, à menor espetadela, o organismo cauteloso dispara o alarme para uma valorosa guarda de segurança, que impede a fuga do sangue: trata-se do complexo processo de coagulação .
Mal um vaso se machuca, cuida de mandar dois sinais: uma mensagem elétrica segue pelos nervos até o cérebro - e este ordena a contração dos músculos na área ferida, diminuindo a passagem do sangue por ali; a outra mensagem é química e se dirige às plaquetas existentes na circulação. Estas, na verdade, são fragmentos de células gigantes situadas nas paredes da medula óssea. Ao perceberem as substâncias secretadas pelo tecido lesado, as plaquetas se agregam. Ativam assim uma enzima do plasma que, por sua vez, reage com uma proteína, o fibrinogênio, também do plasma.
O fibrinogênio se transforma então em fibrina, o fio insolúvel que tece uma rede para amarrar os glóbulos vermelhos: é o coágulo. Na realidade, o processo se desdobra em várias fases, das quais participam no mínimo doze fatores de coagulação, proteínas que seguem à risca a ordem de entrada em cena na operação destinada a estancar a hemorragia. A falta de um único desses fatores corta a corrente de eventos da coagulação. É o que acontece na hemofilia, doença hereditária transmitida sempre pela mãe, cujas vítimas, sempre do sexo masculino, não possuem o chamado fator número VIII.
A complexidade do processo é uma estratégia de segurança: dessa maneira, o organismo não produz coágulos sem a garantia de reações químicas que atestam a existência de uma lesão. Basta, porém, um pequeno coágulo de 2 milímetros de diâmetro para obstruir fatalmente uma artéria do coração, como ocorre no infarto. Os riscos, sem dúvida, são maiores em pessoas hipertensas. Nelas, o sangue pressiona com força as paredes dos vasos, provocando uma espécie de erosão. Formam-se em conseqüência verdadeiras brechas onde plaquetas e glóbulos vermelhos se instalam, erguendo um montículo; este vai barrando a gordura polissaturada, o colesterol de alta densidade (HDL) que circulava.
Como se estranhassem a infiltração da gordura, confundindo-a com uma nova lesão, as plaquetas voltam a se juntar sobre o lugar, aumentando o monte que se eleva no caminho do sangue. Chega enfim o momento em que o líquido não encontra passagem. A pressão sangüínea é mantida sob o controle de diversos hormônios produzidos nos rins. Além de estresse e cigarro, que prejudicam a síntese constante dessas substâncias, com o passar dos anos a safra delas diminui. É por isso. explica o professor Chamone, da USP, que pessoas mais velhas tendem a ter pressão alta.
Em matéria de sangue, contudo, os cuidados com a pressão e com o colesterol já não são os únicos hoje em dia. Pelo risco de contaminação, as pessoas têm medo de receber sangue, algo necessário nas cirurgias, sempre quando há perda acima de 0,5 litro do precioso líquido - o que se dá em mais da metade das intervenções. Quando a perda é menor, os médicos podem, por exemplo, repor apenas soro fisiológico: o coração não perdoa uma queda brusca no volume do fluido que bombeia, ameaçando falhar. O fato é que nos últimos anos muito mais gente do que em qualquer outra época soube que, da mesma forma como distribui a vida pelo corpo, o sangue pode espalhar a morte quando contaminado por vírus de doenças como a AIDS.
Em cirurgias pré-marcadas, os pacientes preferem a autotransfusão, conta Fábio Jatene, cirurgião do Instituto do Coração (Incor), de São Paulo. Há onze anos ele começou a estudar técnicas para reaproveitar o sangue de pacientes. O então médico recém-formado se interessou pelo campo mais por ser pouco vasculhado do que pelos benefícios que só ficariam evidentes com o surgimento da AIDS. Hoje ele entra duas ou três vezes por dia em centros cirúrgicos para aplicar autotransfusões. Todo sangue que jorra na operação é sugado por um equipamento e reinjetado no paciente. A técnica também é usada para aproveitar o sangue que drena no pós-operatório.
Entre 50 e 70 por cento dos pacientes que demandam transfusão acabam recebendo sangue alheio, calcula Fábio, embora, devido à autotransfusão, o volume de sangue estranho que se injeta seja muito menor. A autotransfusão não chega a ser novidade. Cientistas ingleses já aplicavam o método no século passado, mas o costume saiu de moda por causa das dificuldades técnicas e da noção de altruísmo que vicejou no século XX. O certo era doar sangue a um ilustre desconhecido e este, de seu lado, deveria aceitar o sangue de um benemérito anônimo, resume o hemoterapeuta Nelson Hamerschlak, que participa da chefia de um dos mais modernos bancos de sangue do país, instalado no quarto andar do Hospital Albert Einstein, em São Paulo.
Rodeados pelos equipamentos do banco, Hamerschlak detém-se e declara: A beleza da minha profissão é usar todas as engenhocas para atacar o perigo de contaminação por todos os lados. Um médico pode tomar todas as precauções que a ciência proporciona ao realizar uma transfusão e, apesar de toda essa cautela, o paciente ser vítima de um efeito colateral - como se diz no jargão -, o sangue contaminado. Os chamados testes de compatibilidade determinam com segurança os fatores sangüíneos - proteínas existentes nos glóbulos vermelhos contra as quais o receptor do sangue pode produzir anticorpos.
Por exemplo, pode-se ter sangue com proteínas A, B, AB ou O. O sangue tipo O é conhecido como doador universal para transfusão de glóbulos vermelhos porque não contém fatores que reagem com anticorpos, podendo ser injetado em qualquer pessoa; quem possui sangue O, porém, só pode receber sangue do mesmo tipo. O sangue AB é o receptor universal porque, ao contrário do O, só deve ser doado a pessoas do mesmo tipo sangüíneo. Mas, como possui tanto proteína A como B, não reage ao receber qualquer sangue. Outro fator de compatibilidade sangüínea é o Rhesus, assim chamado por ter sido descoberto em macacos dessa espécies. Quem possui determinadas proteínas nos glóbulos vermelhos é Rh positivo e pode receber o sangue que não possui a mesma proteína; este sangue, porém, o Rh negativo, só pode ser misturado a sangue igualmente sem a proteína. Os fatores ABO e Rh são os mais importantes, embora existam cerca de trezentos fatores sangüíneos conhecidos.
No entanto, no que diz respeito a doenças, além da margem de erro na exatidão dos testes, há o que os médicos conhecem por janela, ou seja, o período em que o sangue da pessoa já contaminada ainda não produziu anticorpos suficientes para serem detectados.
A janela, em casos de portadores do vírus da AIDS, dura em média oito semanas. Nos Estados Unidos, com vinte vezes mais casos de AIDS que o Brasil, não passa de ínfimo 0,03 por cento o índice de doadores cujos exames flagraram a presença do anticorpo do vírus da AIDS. Já nos bancos de sangue brasileiros o índice de aidéticos entre os doadores chega a alarmante 0,7 por cento dos casos. Para Hamerschlak, do Albert Einstein, os números são uma clara indicação de que pessoas do grupo de risco procuram na doação uma maneira de fazer gratuitamente o teste da AIDS. Quando se trata de sangue, sempre há risco, sentencia ele.
Mas no Brasil os números disponíveis demonstram que o risco pode estar além da conta. Na média nacional, caso nenhum sangue fosse testado, quem recebe transfusão teria 0,6 por cento de chance de pegar AIDS, 1,3 por cento de contrair hepatite, 1,8 por cento doença de Chagas e 2,4 por cento outras infecções. Para se ter uma idéia do perigo que correriam os 100 mil hemofílicos brasileiros, cada um deles precisa receber 100 doações por ano. A fim de reduzir os riscos de contaminação, além de restringir a lista de doadores, os modernos bancos de sangue contam com o benefício da tecnologia médica - as processadoras, máquinas capazes de selecionar no próprio sangue do doador o componente que está sendo procurado. Ou seja, ele deixa de doar o meio litro de sempre de sangue total, como dizem os hematologistas, para ceder apenas, por exemplo, glóbulos brancos ou plaquetas, e assim por diante.
Como as células têm peso diferente, posso escolher exatamente aquelas que preciso retirar do sangue, através da centrifugação, explica o médico Leonel Szterling, também do Hospital Albert Einstein, enquanto colhe plaquetas do sangue de uma doadora. Através da lente côncava do aparelho podem-se ver várias esferas, formadas pelo sangue que gira em alta velocidade. No centro, feito uma bola de fogo, concentram-se os glóbulos vermelhos, cercados pela aura clara dos glóbulos brancos. Em seguida vem a esfera amarela pálida das plaquetas, que, pouco a pouco, preenchem um saquinho de plástico.
O restante do sangue é devolvido ato contínuo à doadora, cujo volume de plaquetas em poucos dias voltará ao normal. Pelo processo convencional, separando as plaquetas contidas em meio litro de sangue doado, eu precisaria de umas oito doações para conseguir o mesmo saquinho, compara Szterling. Os hemoterapeutas, especialistas em tratamento das doenças do sangue, também estão usando esse tipo de equipamento para retirar o excesso de glóbulos brancos que atacam o próprio organismo, nos casos das doenças auto-imunes, como a artrite.
No futuro, as processadoras talvez serão aplicadas apenas nesses tratamentos. Ao menos, é o que esperam os pesquisadores do Centro de Biotecnologia do Instituto Butantã, em São Paulo, que acenam com uma descoberta capaz de acabar com o drama da contaminação por doações: uma enzima que dissolve rigorosamente todo e qualquer vírus, purificando o sangue em pouco mais de 24 horas. De acordo com o médico Isaías Raw, respeitado pesquisador em Bioquímica, que dirige os estudos, trata-se de uma variação do método criado pelo Banco de Sangue de Nova York, que usa um solvente por sinal muito comum em armas químicas, combinado com um detergente da bile produzido no fígado, para destruir a carapaça do vírus.
Seu material genético fica porém intacto, informa Raw, enquanto acrescentamos à fórmula uma enzima capaz de derreter o vírus completamente sem danificar as células do sangue. Outra frente promissora de pesquisas na área está na placenta humana, que contém cerca de 300 mililitros de sangue. Os franceses desenvolveram na década de 70 a técnica de moer placentas para garimpar os coágulos de sangue. Por isso, compram anualmente 20 milhões de placentas do mundo inteiro. A idéia dos pesquisadores do Butantã não é somente colher o sangue contido na placenta mas tentar isolar nela os hormônios que fazem crescer os capilares.
No futuro, imagina Raw, as operações de safena poderão ser substituídas por injeções dessas substâncias, que ofereceriam à circulação sangüínea caminhos alternativos desimpedidos. A mais fascinante de todas as promessas talvez seja a do chamado sangue artificial, um líquido branco e leitoso, criado por cientistas japoneses, que ainda está longe de substituir o bom, velho e rubro sangue natural, mas abre animadoras possibilidades nesse campo. A descoberta data da década de 60, quando cientistas americanos sem querer deixaram cair um ratinho em um recipiente com uma emulsão de perfluorcarbono, composto capaz de dissolver gases, razão pela qual é usado, por exemplo, na fabricação de refrigerantes. Para espanto de todos, a cobaia, submersa, continuou respirando normalmente.
A razão disso, descobriu-se depois, é a alta concentração de oxigênio contido no perfluorcarbono - ou seja, ar à vontade. Nas primeiras experiências com seres humanos, no final dos anos 70, o sangue artificial só funcionou como recurso de emergência, pois quando se injetavam mais de 200 mililitros o líquido manifestava efeitos tóxicos. Hoje, embora muitos médicos tenham suas dúvidas, os japoneses garantem poder transfundir até 2 litros do sangue leitoso. Como diria o diabo do romance Fausto, do poeta alemão Goethe, o sangue é mesmo um suco muito peculiar.

Para saber mais:
Os defensores do corpo humano
(SUPER número 7, ano 2)
Resposta errada
(SUPER número 8, ano 3)

Boxes da reportagem

Quando o sangue sobe à cabeça

Quando se sente medo, o coração dispara, preparando o organismo para escapar da situação. Mas se o medo é de sangue a natureza abre exceção: como se temesse um sangramento, os batimentos cardíacos diminuem e a pressão cai tanto a ponto de causar enjôos ou tonturas. Mas por que alguém sente mal-estar, medo ou asco ao ver sangue? Para a psicóloga Maria Helena Bromberg, da Pontifícia Universidade Católica de São Paulo, o sangue em si está relacionado à vida e às emoções fortes - daí jorrarem expressões como ter sangue quente. Mas o sangue que se vê habitualmente está associado a situações negativas - acidentes, ferimentos, doenças. Então ele adquire significado oposto, acredita Maria Helena.
Por isso, ao ver o líquido ao vivo e em sua cor carmim, o pálido desconforto pode transformar-se em pânico - pânico da morte, em suma. Existem, é claro, pessoas que até gostam de ver sangue, mesmo que não saibam disso. Para o fundador da Psicanálise, Sigmund Freud, o líquido vermelho é também símbolo de intimidade sexual. Ele por certo não acreditava em vampiros, como o conde Drácula da histórias de terror, mas usou a expressão vampirismo para definir casos em que a visão do sangue ajuda a excitar sexualmente alguém - um comportamento, portanto, aparentado do sadismo.



Imagens correndo nas veias

. Quando se abrem nos vasos brechas por onde o fluido possa escapar, arma-se um verdadeiro esquema de segurança. Mas o excesso de zelo pode levar a fatais obstruções nas artérias do coração.
1) O menor ferimento que permita a fuga de uma única gota de sangue faz o organismo disparar um alarme através de sinais químicos do tecido lesado. Isso faz com que as plaquetas começam a se juntar
2) A plaqueta, cuja imagem aparece ampliada nesta foto, é na realidade um fragmento de células da medula óssea.
3) As plaquetas se detêm na ferida para dificultar a passagem do sangue. Os pontos menores são glóbulos brancos criando uma barreira química à passagem dos germes.
4) Três a seis minutos após a lesão, milhares de plaquetas agregadas formam uma película transparente para ativar proteínas no plasma.
5) Uma das proteínas do plasma, o fibrogênio, reagindo com os chamados fatores de coagulação, começa a tecer uma verdadeira rede de fios insolúveis.
6) Completamente presos por aquela rede, os glóbulos vermelhos que tentavam escapar formam um coagulo: é o fim da hemorragia.
7) O interior da artéria coronária de uma pessoa hipertensa: a forte pressão do sangue contra a parede do vaso provoca uma erosão.
8) Persistindo pressão alta, o fluxo do sangue levanta camadas com se estivesse descascando a superfície do vaso. Este, então, pode romper-se facilmente.
9) Os glóbulos vermelhos se instalam nas cavidades assim formadas.
10) Para evitar a fuga dos glóbulos vermelhos, inicia-se processo de coagulação comum a qualquer ferimento: só que a artéria herdará para sempre uma espécie de cicatriz.
11) A cicatriz, feito uma placa, acaba ficando impregnada de partículas de colesterol presente na circulação.
12) O jogo de sucessivas coagulações e depósitos de colesterol forma um montículo que pode, eventualmente, obstruir o fluxo sangüíneo e provocar o infarto.


Uma gota de verdade

Com uma agulha, a enfermeira do laboratório espeta o dedo do paciente e deposita a gota em um aparelho do tamanho de um controle remoto de TV. O equipamento analisa a luz refletida pelas moléculas sangüíneas e indica em um mostrador digital a quantidade de glóbulos vermelhos - assim, em instantes, é possível diagnosticar anemia, o que antes consumia horas de contagem das hemácias ao microscópio. A nova técnica é excepcional - seja pela inovação em si, seja porque a esmagadora maioria dos exames segue outros procedimentos. Normalmente os laboratórios de análises clínicas misturam à amostra de sangue produtos químicos capazes de provocar reações se nela existirem substâncias específicas. Cada um daqueles produtos (ou bactérias, eventualmente) destina-se a fornecer uma determinada resposta. Eles fazem as substâncias do sangue aglutinar-se, mudar de cor ou ficar radioativas. Conforme o tipo de reação, pode-se saber não só o mal que aflige o paciente, como a presença de um vírus, mas também dados do tipo taxa de hormônios, de açúcar, de colesterol etc. Qualquer infecção se revela no exame. A rigor, toda doença deixa pistas no sangue, mas nem por isso o exame de sangue é sempre o melhor caminho para o diagnóstico de uma doença. Um distúrbio cardíaco, por exemplo, pode ser indiretamente flagrado na análise por causa do aumento do número de uma certa enzima, liberada pelas células danificadas do coração. Mas é muito mais simples - e eficaz - fazer um eletrocardiograma.

Sangue: Precioso Líquido - Superinteressante

O sangue compartilhado - Superinteressante

Matéria da Revista Superinteressante sobre o Sistema Circulatório. Para visualizar a página original basta clicar no título.

O sangue compartilhado

As transfusões sangüíneas e o entendimento da eletricidade do coração são conquistas deste século.

Qual é o seu tipo de sangue? Até a virada deste século essa pergunta não fazia sentido, pois a classificação que conhecemos – os tipos A, B, AB e O, positivo ou negativo – não existia. As transfusões sanguíneas terminavam quase sempre em morte, sem que se soubesse o motivo. Foi em 1900 que o imunologista austríaco Karl Landsteiner (1868-1943) descobriu que há vários tipos de sangue diferentes entre si. A diferença se deve a uma substância chamada aglutinógeno, que pode, em certos casos, estimular a produção de anticorpos. Landsteiner verificou que o tipo de sangue que ele chamou de A era atacado pelos anticorpos existentes no sangue portador de um aglutinógeno B, provocando a morte do receptor. Já os integrantes de um terceiro tipo, chamado de O, poderiam transferir sangue para qualquer um, enquanto um quarto grupo, o AB, podia receber doações de todos os outros.
A descoberta viabilizou o tratamento de doenças do sangue, como a anemia. Facilitou também as cirurgias que implicam grandes perdas de sangue. Mesmo com todos os cuidados, volta e meia alguém morria durante uma transfusão. Landsteiner passou o resto da vida pesquisando e, em 1940, descobriu que aquelas mortes eram causadas pela presença ou ausência de outro aglutinógeno. Chamou-o de Rh, abreviatura de rhesus, o macaco em que foram feitas as experiências. As mulheres que não possuem o Rh (ou seja, Rh negativas) podem ter problemas na gravidez se o pai da criança for Rh positivo e, além disso, passar essa característica para o filho. Nesse caso, o organismo da mãe interpreta o Rh no sangue do feto como um inimigo e produz anticorpos para combatê-lo. Os anticorpos da mãe atravessam a placenta e penetram no corpo do feto, onde atacam as células sanguíneas encarregadas de transportar o oxigênio. O resultado é uma espécie grave – porém curável – de anemia, a eritroblastose fetal.

Qual é o seu tipo?

As transfusões só podem ser feitas entre indivíduos com tipos de sangue compatíveis entre si. Se você pertence ao tipo O, pode doar para qualquer um, mas só recebe de alguém do mesmo grupo. Se for AB, ocorre o contrário – aceita qualquer tipo de sangue, mas só doa para outro AB. Já os tipos A e B recebem sangue O e doam a AB, além de trocar seus problemas com gente do seu próprio grupo.

O guardião do ritmo

O marcapasso, aparelho que emite impulsos elétricos para regular os batimentos cardíacos, começou a ser usado em 1954. Ficava do lado de fora do corpo e o coração era estimulado por eletrodos na pele que deixavam queimaduras após alguns dias de uso. Naquele mesmo ano, os eletrodos passaram a ser implantados debaixo da pele, mas surgiam infecções graves. Só em 1958 o médico sueco Ake Seenin alcançou uma solução definitiva – implantar um marcapasso interno. O primeiro paciente a usar essa engenhoca dentro do peito foi Arn Larsson, um homem de 43 anos com uma séria doença no coração que obrigava os médicos a ressuscitá-lo até trinta vezes por dia. A operação foi um sucesso e Larsson ainda está vivo, 41 anos depois.

Espionando o coração

Entender as razões do coração já foi bem mais difícil do que hoje em dia. Quem facilitou essa tarefa foi o fisiologista holandês Willem Einthoven (1860-1927), ao inventar, em 1903, um aparelho capaz de medir a eletricidade envolvida nos batimentos cardíacos. O eletrocardiograma é obtido com eletrodos instalados em várias partes do corpo, a fim de detectar a corrente elétrica que atravessa o coração toda vez que ele bate. Com o eletro se pode perceber doenças cardíacas antes que elas se tornem irreversíveis.

Luzes, câmera, ação!

Até a metade do século, as cirurgias cardíacas eram raras e muito arriscadas. O médico tinha que operar com o coração em pleno funcionamento, o que o impedia de ver com exatidão o que estava fazendo. Esse obstáculo só foi removido em 1953, quando o americano John Gibbon Jr. inventou uma máquina que fornece oxigênio ao organismo enquanto o coração pára de bater.
Desde então, as cirurgias se tornaram cada vez mais sofisticadas. Em 1967 outro americano, Rene Favaloro, fez a primeira operação de ponte de safena, para liberar a passagem do sangue numa artéria coronária obstruída.
O passo seguinte foi a angioplastia, em que o bloqueio da artéria é removido por um cateter com um balãozinho na ponta. Hoje em dia, nem sempre é necessário abrir o tórax do paciente. Os médicos se orientam pelas imagens de uma microcâmera de vídeo instalada perto do coração e manipulam o bisturi através de pequenos furos no corpo.

A ciência do bem-estar

Conheça as descobertas que propiciaram, neste século, o aumento da longevidade e a melhoria das condições de saúde.
1900 - O patologista austríaco Karl Landsteiner descobre os tipos sanguíneos A, B, AB e O, tornando possíveis as transfusões de sangue.
1900 - O livro A Interpretação dos Sonhos, do austríaco Sigmund Freud, marca o início da Psicanálise, uma teoria que explica a mente humana a partir da sexualidade e das experiências infantis.
1902 - O primeiro hormônio é descoberto pelos fisiologistas ingleses William Bayliss e Ernest Starling. É a secretina, que estimula a produção de substâncias digestivas pelo pâncreas.
1903 - O médico espanhol Santiago Ramón y Cajal demonstra que as células nervosas se comunicam sem se tocar, enviando mensagens através de intervalos mais tarde chamados de sinapses.
1903 - O fisiologista alemão Willem Einthoven inventa um aparelho que registra as alterações da corrente elétrica que passa pelo coração. O eletrocardiograma é utilizado até hoje.
1905 - O russo Nikolai Korotkoff cria o primeiro aparelho para medir a pressão arterial.
1906 - Além dos alimentos fundamentais, descobre-se que o ser humano precisa de substâncias complementares, mais tarde chamadas de vitaminas. O achado é dobioquímico inglêsFrederick Hopkins.
1906 - Alois Alzheimer, um neurologista alemão, identifica um distúrbio que causa a deterioração progressiva do cérebro. A doença, hoje, leva o nome de seu descobridor.
1910 - O médico alemão Paul Ehrlich usa um composto à base de arsênico para combater a sífilis. É o início da quimioterapia, que consiste no ataque seletivo a células doentes por meio de substâncias tóxicas.
1914 - A existência dos neurotransmissores, substâncias que transmitem mensagens químicas entre as células do sistema nervoso, é descoberta pelo fisiologista inglês Henry Dale.
1917 - O psicólogo suíço Carl Jung lança o livro Psicologia do Inconsciente, que contradiz várias das idéias defendidas por Freud e inaugura uma nova tendência em psicoterapia.
1921 - A insulina do pâncreas é isolada pelos fisiologistas canadenses Frederick Banting e Charles Best. Em pouco tempo, a substância passaria a ser utilizada em larga escala para o tratamento da diabete.
1923 - Os bacteriologistas franceses Albert Calmette e Camille Guérin desenvolvem a vacina BCG (Bacillus Calmette-Guérin), para combater a tuberculose.
1928 - Alexander Fleming, um bacteriologista escocês, descobre a penicilina, que daria origem ao primeiro antibiótico.
1928 - A detecção precoce do câncer no aparelho reprodutor feminino se torna possível graças a um teste criado pelo médico americano George Papanicolao.
1928 - A vitamina C é identificada pelo bioquímico húngaro Albert Szent-Györgyi.
1929 - O cirurgião alemão Werner Forssmann cria o cateterismo, um método de diagnóstico de problemas cardíacos pela introdução de um tubo nos vasos sanguíneos. Como teste, faz um cateterismo em si mesmo.
1930 - Engenheiros da empresa farmacêutica alemã Squibb inventam o microscópio eletrônico.
1935 - Os neurologistas portugueses António Moniz e Almeida Lima introduzem a lobotomia, remoção de partes do cérebro de doentes mentais. Hoje essa terapia não é mais usada.
1937 - É desenvolvida uma vacina contra a febre amarela. O microbiologista americano Max Theiler utiliza vírus atenuados, que não causam a doença, para provocar uma resposta do sistema imunológico.
1938 - O psiquiatra italiano Ugo Cerletti usa choques elétricos para amenizar distúrbios da mente – técnica que caiu em desuso a partir da década de 70.
1940 - A penicilina é purificada pelos patologista ingleses Howard Florey e Ernst Chain, possibilitando a aplicação clínica do antibiótico descoberto por Fleming em 1928.
1940 - Com base em pesquisas com macacos rhesus, o médico austríaco Karl Landsteiner descobre o fator Rh no sangue, quarenta anos após ter descoberto os tipos sanguíneos.
1941 - O oftalmologista australiano Norman Gregg aponta a rubéola durante a gravidez como responsável por problemas como catarata e surdez em recém-nascidos.
1943 - O fisiologista alemão Willem Kolff desenvolve uma máquina artificial de diálise que pode assumir as funções dos rins em pacientes com deficiência no órgão.
1944 - O primeiro anti-histamínico, droga com propriedades antialérgicas, é descoberto pelo farmacologista suíço Daniel Bovet.
1944 - O cirurgião Alfred Blalock e a pediatra Helen Taussig, ambos americanos, realizam a primeira operação numa criança com um problema cardíaco congênito.
1945 - A adição de flúor à água encanada, um meio de prevenção das cáries, é introduzida nos Estados Unidos.
1948 - O câncer começa a ser tratado com base na quimioterapia, que utiliza substâncias tóxicas para atacar as células atingidas pela doença. Até hoje, é uma das principais formas de tratamento.
1948 - O médico americano Philip Hench descobre que a cortisona, uma substância com propriedades antiinflamatórias, pode ser usada para tratar a artrite reumatóide.
1952 - A primeira vacina contra a poliomielite é desenvolvida pelo médico americano Jonas Salk.
1953 - Uma máquina com funções cardíacas e pulmonares é utilizada numa cirurgia pela primeira vez, para criar uma circulação sanguínea artificial.
1954 - O biólogo americano Gregory Pincus desenvolve uma droga que impede a ovulação, evitando a gravidez. É a pílula anticoncepcional.
1954 - Os cirurgiões americanos John Merril, Joseph Murray e Warren Guild realizam, com sucesso, o primeiro transplante de rins.
1957 - Albert Sabin, microbiologista americano, desenvolve a primeira vacina oral contra a pólio, que passa a ser utilizada mundialmente por ser mais eficaz do que a injetada.
1957 - A talidomida, uma pílula para dormir, começa a ser receitada nos Estados Unidos e na Europa. Cinco anos depois, a droga é proibida, por causar sérias malformações em fetos.
1964 - Os aparelhos portáteis de hemodiálise são adotados nos Estados Unidos e na Inglaterra, facilitando o tratamento dos pacientes com deficiência renal.
1967 - O cirurgião sul-africano Christiaan Barnard realiza o primeiro transplante cardíaco, na África do Sul. Seu paciente, Louis Washkansky, morre 18 dias após a operação.
1971 - O engenheiro elétrico inglês Godfrey Hounsfield e o físico americano Allan Cormack inventam a tomografia computadorizada.
1975 - É descoberta a endorfina, um neurotransmissor que age no cérebro como um opiáceo natural. A substância é responsável pelo alívio da dor e pela sensação de prazer.
1978 - Nasce na Inglaterra o primeiro bebê de proveta. Os responsáveis são os obstretas ingleses Patrick Steptoe e Robert Edwards.
1979 - A Organização Mundial da Saúde declara erradicada a varíola. Os vírus que ainda restam no planeta ficam trancafiados dentro de laboratórios.
1981 - São noticiados cinco casos de um tipo raro de pneumonia em homossexuais. A causa é uma doença no sistema imunológico que viria a se tornar uma das piores pragas do século: a Aids.
1982 - O governo dos Estados Unidos aprova a utilização da primeira droga produzida geneticamente. É um tipo de insulina obtido pela modificação genética de uma bactéria.
1983 - Os patologistas australianos Barry Marshall e R. Warren relacionam a úlcera gástrica à bactéria Helicobacter pylori. A hipótese dos cientistas seria definitivamente aceita dez anos depois.
1983 - O HIV, vírus da Aids, é isolado e identificado pelo francês Luc Montagnier e pelo americano Robert Gallo.
1986 - O AZT, uma droga contra a Aids, começa a ser utilizada com sucesso em pacientes infectados pelo HIV.
1994 - O geneticista americano Mark Skolnick isola o gene responsável pelo câncer de mama, abrindo novas possibilidades de tratamento da doença.
1995 - A primeira vacina eficaz contra a malária, criada pelo bioquímico colombiano Manuel Patarroyo, é aprovadapela Organização Mundial da Saúde.
1996 - Surge na Inglaterra a doença da vaca louca, provocada por estranhas proteínas infectantes, os príons, transmitidas por meio da carne contaminada.
1996 - Uma nova alternativa para o tratamento da Aids aumenta significativamente a sobrevida dos pacientes. O coquetel de drogas anunciado pelo virologista americano David Ho pode eliminar até 99% da carga viral dos infectados.
1997 - O cirurgião brasileiro Luiz Antonio Rivetti cria uma nova técnica de cirurgia no coração. Com ela, torna-se desnecessária a circulação artificial nas cirurgias de pontes de safena.
1997 - O oncologista americano Judah Folkman consegue, em testes com cobaias, bloquear a irrigação sanguínea das células cancerosas.
1998 - É lançado o Viagra, primeira droga eficaz contra a impotência. Três milhões de caixas são vendidas em dois meses.



O sangue compartilhado - Superinteressante

Veias e Artérias: Circular é preciso - Superinteressante

Matéria da Revista Superinteressante sobre o Sistema Circulatório. Para visualizar a página original basta clicar no título.


Veias e Artérias: Circular é preciso

O coração é o motor do sangue, fazendo com que ele viaje por uma rede de estradas - as artérias, veias e vasos capulares.

por Claudio Angelo

O sistema circulatório é como uma intrincada malha rodoviária. Se você emendar, uma na outra, todas as veias, artérias e capilares existentes no seu corpo, terá uma linha de 160 000 quilômetros, o suficiente para dar a volta ao mundo quatro vezes. As veias e as artérias são vias de mão única. Em cada uma delas, só trafega um tipo de sangue. Nas artérias, circula sangue oxigenado. Nas veias, o sangue saturado de gás carbônico, que se move no sentido oposto.
É pela aorta, a maior artéria, que o sangue sai do coração para irrigar o organismo inteiro. Seu destino são os capilares, lO bilhões de vasos minúsculos que levam o líquido a cada pedacinho do corpo. Os capilares têm, de comprimento, a espessura de um fio de cabelo. É lá que ocorrem as trocas gasosas. Após descarregar o oxigênio e receber o gás carbônico, os capilares se prolongam até formar as veias, já no caminho de volta ao coração. A essa altura, o sangue perdeu impulso e está mais lento. Chega ao coração com pouco mais da metade da pressão com que saiu. Por isso, as veias possuem válvulas, que impedem que o sangue flua na direção errada.
O cérebro é o cliente VIP desse sistema. "Como é um centro regulador, ela tem a prioridade no fornecimento de oxigênio, não importa o que aconteça", diz o fisiologista Paulo Tucci, da Universidade Federal de São Paulo. Quando a pressão arterial cai e falta oxigênio, o cérebro faz o corpo reduzir sua atividade na marra: é o desmaio.

Quem sabe é super

Hemácias, leucócitos e plaquetas representam 40% do volume total do sangue. O restante é um líqüido chamado plasma, composto basicamente de água. O plasma transporta também várias substâncias, de proteínas e hormônios a glicose e anticorpos

Um mal de família

Hereditária, a hemofilia é uma doença incurável.
Em agosto de 1995, o sociólogo Herbert de Souza, idealizador da Ação pela Cidadania e Contra a Fome, morreu no Rio de Janeiro, em decorrência da Aids. Betinho seguiu a sina de seus irmãos, o cartunista Henfil e o músico Chico Mário, mortos em 1988, também vítimas da doença. Os três adquiriram o vírus HIV em transfusões de fatores de coagulação, obtido do sangue de doadores anônimos. Tinham hemofilia, uma doença hereditária causada pela falta de uma proteína coaguladora. Essa doença impede a cicatrização, transformando qualquer cortezinho num sangramento sem fim. Por isso, os hemofílicos precisam de transfusões. A hemofilia é transmitida aos filhos homens por mulheres sadias filhas de um hemofílico.

O encanamento do corpo

Conheça algumas das veias e artérias por onde o sangue viaja.
OS GRANDES RIOS
Ligadas diretamente ao coração, as veias cavas superior e inferior trazem o sangue carregado de gás carbônico. A cava inferior funciona como um grande rio, com vários afluentes. Os principais vêm de órgãos como o fígado e os rins.

O TUBO DE OXIGÊNIO
Embora seja tecnicamente uma veia - porque vai dos tecidos para o coração -, a veia pulmonar carrega sangue arterial, rico em oxigênio, direto dos pulmões.
Uma vez no coração, o sangue vindo dela será impulsionado pela aorta para todos os outros órgãos.

COMBUSTÍVEL DAS PERNAS
Prolongamento da aorta nos membros inferiores, é da artéria femural que saem todos os vasos da perna. Por carregar grandes quantidades de sangue, sua ruptura pode até matar.

PEÇA SOBRESSALENTE
Embora esteja longe de ser um dos dutos principais do sangue, a veia da perna chamada safena ficou conhecida por servir como substituta de coronárias entupidas. Os médicos a usam para fazer uma "ponte" sobre a artéria entupida, para que o sangue possa voltar a circular normalmente.

NA MIRA DO VAMPIRO
Para azar dos vampiros do cinema, as veias jugulares não são o local mais adequado para se achar sangue fresco. Elas trazem o sangue com gás carbônico do cérebro para a veia cava superior, por onde ele é jogado no coração. Já as artérias carótidas, que correm ao seu lado, vêm cheias de oxigênio. Boas de morder.

A SUPER-RODOVIA
Principal artéria do corpo, a aorta é também a maior delas. Tem até cinco centímetros de diâmetro, e forma um arco sobre o coração, de onde partem as subclavianas (que irrigam os braços) e as carótidas (que oxigenam o cérebro).

Para agüentar a pressão

Artérias: Possuem uma camada muscular grossa e resistente, para suportar a pressão do sangue, que sai a todo vapor do coração.
Veias: Têm uma parede muscular mais fina e menos elástica que as artérias. Mas não precisam de mais do que isso, pois o sangue corre nelas impulsionado por uma pressão muito baixa - tão baixa que algumas têm válvulas que se fecham quando o líquido passa, para que ele não volte.


Veias e Artérias: Circular é preciso - Superinteressante